quarta-feira, 25 de maio de 2011

Macaxeira era o nome da outra perna de pau

Marque com um x uma das alternativas: Você me acha louca ou eu já te machuquei bastante. Teve um que queria assinalar tudo. Deve haver uma legião com tochas querendo me queimar. E tudo por causa dessa coisa de feminismo. Começou com a Beth e vai terminar nem sei onde. Mas vê lá se sou maluca! Só porque eu faço coleções, isso não esclarece nada! Naqueles dias eu andava pensativa e foi exatamente quando ele apareceu. Um ele que não é você, antes que se importe muito e ache que tudo que eu escrevo é auto relativo à sua pessoa. Quase tudo, só nesse momento que não. Imagina que eu quase fiquei feliz? Aí o corpo ficou doente, esperneou, porque deve ser muita endorfina e o pobre não está acostumado. Você conhece outras pessoas assim? Talvez eu tenha hoje conversado com você pela madrugada, esperando dar um horário aceitável pra te chamar e você ainda discute comigo. Eu queria perguntar como era pra você. Essa coisa de ser e não ser, de estar e sair correndo, mas não perguntei. Eu imaginei a lua ontem à noite toda, me sentia elevada, mas paixão não é pra mim, tem um efeito emburrecedor sobre todo o conjunto. Você fica burro quando se apaixona? Esquece os dias, acha tudo menos trágico e acha que está pronto pra tomar um tiro? Eu não fico assim, mas é menos pior do que geralmente. Então eu sinto falta do peso e me desapaixono.
Faço isso pra me manter saudável, a rotina de duas xícaras de café pela manhã, um maço de cigarros pela tarde e mais uma dose de tequila à noite. Se não mantenho a dieta, sou capaz de sobreviver... Compartilho do seu amor pelas facas.
O engraçado é que ele nunca escreveu nada que fosse pra mim. Nem uma linha. Eu te jogo em tantas aventuras, você seria o detetive canastrão, o médico irresponsável, a aluna aplicada. Teria sempre um papel nas minhas tramas. Simplesmente porque me reconheço nessa coisa que você representa. Eu só não sei bem o que é.
A Madrugada respira fundo, os dedos ardem pelas cordas novas... Adoro quando algo funciona... O Estômago já não é o mesmo, mas eu também não sou a mesma, como posso cobrar alguma coisa dele?
Acredita que atravessei a vida até aqui sem cobrar nada de ninguém? É porque sou do time do pouco importa.  Mas eu queria dizer outra coisa. Queria contar um caso. Contar que uma moça amou uma vez, ah, sempre historinha de amor. Na verdade queria contar que há salvação para a humanidade, que somos parte dela e que não é preciso ter medo. Tenho medo de abraços apertados e de atravessar a rua, de avião, de afogamentos, quando eu ia dormir eu me imaginava morrendo afogada e tentava não respirar. Pensava comigo “É pra ir acostumando”. E quando dá essas coisas, não tem alprazolan que resolva. Na verdade, nada resolve nada e fica tudo por igual. Já pensou que somos exatamente o que dois foram um pro outro, ele com mais significância pra ela?
Uma relação de mesmice, mas não há nada de novo no mercado. Ah, eu queria contar outra coisa: quase dormi uma noite inteira, largada num ombro e achando aquilo bom... Deveriam alugar esse tipo de serviço: ombros pra insones. Será que era saudade? Acho que não, porque já conheço o gosto e não tinha esse não. Será que era eu mesma andando em passos tão levinhos que não pude me assustar a tempo de sair correndo? Eu acho que ando sorrateira.