segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Impensável

Na mesa, o silêncio estranho.
Nairobe percebera que perdera completamente o apetite e que a comida tinha gosto de barro. Não tinha temperatura, não tinha sabor.
Aquilo havia sido roubado naquela refeição.
A pomba bicava satisfeita o prato à sua frente.
Nairobe evitava olhar em sua direção.
À sua frente, seu irmão, quieto, as assas ainda quase imperceptíveis, mas ainda lá. Rubras, vermelhas, translúcidas e horrendas, faziam Nairobe pensar em um dragão.
Sua mãe parecia preocupada.
A hora parecia não ter fim.
Nairobe decidiu: não queria comer a sobremesa.

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