quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Duas ou três coisas eu preciso te dizer:
lave as mãos.
mas lave bem.
lave de novo.
mais uma vez.

elas estão sujas, sempre estiveram
não fosse mentira, seria a lama
tanta que nenhuma barragem poderia espalhar

Aquele cara lá foi tudo aquilo, foi ruim, do começo ao fim. Ele se vangloriou por tantas amizades, por tanta carne nova, fresca, mais no sentido de insuportável do que de novidade.
E naquele instante, a moça, aquela, a moça que tremia por dentro, parou.

Ela somente tirou a camisa, caminhou até a porta da casa e saiu.
Não disse onde ia, não disse que horas voltava, não informou direção.
Se era triste?
já fora.
Agora olhava até soberba para o que restava ao redor.
Como bomba,
como gás
como um campo amassado por um tufão
o que lhe cercava não lhe interessava mais.

Ele?
Ainda lava as mãos.
Mas lava bem.
lava de novo.
mais uma vez.

Elas ainda estão sujas.

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