terça-feira, 6 de maio de 2014

Eu ia pedir para você parar.
Eu não posso me apaixonar.
Faz um tempo, uns dias... Muitos anos, eu jurei que não iria mais.
Me apaixonar.
Quando as coisas começam, depois que outras terminam, quando você flutua novamente, é sempre por um tempo. Curto.
Você ama, eu amo, depois eu desamo. Ando desamando vida a fora e continuo levando as pessoas comigo.
Todos guardados, todos sentidos. Eu sinto saudade de quem não devo.
Eu ia pedir para você parar porque uso uma roupa própria para esses casos, bege, cinza, verde. Musgo.
Uma roupa anti-paixão e que rescende a medo. Tenho tanto, tantos. Eu te empresto, eu guardo alguns, posso distribui-los.
Só não faço se você prometer.
Parar.
Pare de oferecer a mão,
Pare de olhar,
Esse olhar de cão, essa coisa que pede,
Esse travesseiro largado ao seu lado,
Dizendo, baixinho, sussurrando enquanto alguém dorme no quarto ao lado,
“vem”
Com uma, duas, vinte interrogações que são todas as dúvidas que já deveriam ter sido extintas pela sociedade.
A humanidade deveria ter superado a paixão.
Se fosse em outro tempo, de outro modo.
Vamos ser andrelinos?
Entrar num monastério juntos e nos dedicar ao amor fratello e capello. Vamos observar gaivotas?
Não há homens nesses conventos.
Seremos franciscanos, ambos.
Divido minha sandália de tiras com você.
Eu vim pedir para você parar.
Mas o céu, aquele tom.


Algo mudou.