segunda-feira, 2 de julho de 2012

Apócrifo


Eu não sei o que dizer. Sinto que preciso falar alguma coisa, mas não sei o que.
Eu poderia só dizer que ainda dói.
É essa a primeira percepção. Todo aquele abismo que foi quando você foi, ainda é. Tem bordas. Tem lascas e garras...
Mas não era isso que iria contar... Iria dizer que é segunda-feira e as cercas brancas reluzem ao sol. Pelo menos eu ainda as vejo assim. Fechei os olhos e minha pele fina ainda deixou a luz entrar, avermelhando tudo... Sabe quando você não enxerga, mas tudo fica castanho?
Parece outono, mesmo que seja outra época... Foi mais ou menos nessa. “Faz o que você quer fazer”, tudo começou aqui. Daqui ali foi uma eternidade... Ontem fiquei lembrando e me deu febre... Às vezes compro memórias no atacado e me remoo com elas, fico me modelando que nem massinha e me moendo que nem farinha.
Eu só queria ser do mesmo saco que você.